Não bastasse o risco de alagamentos e desmoronamentos com a temporada de chuva, uma combinação de fatores acende o alerta para outro desafio na capital mineira. O calor e a umidade prolongada, que tendem a ficar cada vez mais intensos, favorecem a proliferação do Aedes aegypti, vetor da dengue, chikungunya e zika.
Só neste ano, 154 mil pessoas tiveram dengue em Belo Horizonte e outros 1.780 casos estão pendentes de resultados. Cinquenta e cinco moradores da capital perderam a vida devido a complicações da doença.
O último levantamento disponibilizado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) mostra a regional Barreiro no topo do ranking, com 25 mil ocorrências, seguida pela Nordeste (21 mil) e Leste (20 mil).
Após registrar dias seguidos de chuva na semana passada, focos do mosquito podem ser vistos em diferentes regiões da cidade. São pneus velhos, garrafas destampadas, potes de plástico e até lixo que podem acumular água e servir como um meio de reprodução para as larvas.
No bairro Goiânia, região Nordeste de BH, o que chama a atenção é a Unidade de Recebimento de Pequenos Volumes (URPV). Instalado na rua Araci de Almeida, próximo ao Anel Rodoviário, o espaço tem uma espécie de reservatório cheio de água, que pode oferecer perigo. Próximo dali, em um lote vago, entulhos também servem como criadouros. Uma equipe da regional Nordeste irá até o local para verificar a situação.

O infectologista e professor da UFMG Unaí Tupinambás reforça que o período chuvoso, seguido de estiagem e altas temperaturas, é o quadro perfeito para a proliferação do Aedes aegypti. Segundo ele, que acredita em um aumento dos registros de chikungunya, o melhor a se fazer é a prevenção, com eliminação dos possíveis focos.
Combate
Em nota, a SMSA informou que realiza ações constantes de conscientização. Mutirões de limpeza para eliminar possíveis criadouros e evitar a presença do mosquito também são feitos o ano inteiro, diz a secretaria. Em 2016, foram 174 mutirões, com recolhimento de mais de 4 mil toneladas de materiais.
Águas contaminadas favorecem casos de leptospirose
Belo Horizonte tem 51 pontos com risco de alagamento. Assim, o perigo nesse período de chuvas mais intensas não está restrito à dengue. O alerta à população também vale para doenças provocadas pelo contato com água contaminada.
A leptospirose – infecção grave que pode até matar – é uma delas. O infectologista Estevão Urbano é categórico. Para ele, as pessoas devem, sempre, evitar o contato com poças, enchentes e enxurradas. Só assim para afastar qualquer risco.

“Porém, nos casos em que isso não é possível (evitar o contato com a água), é aconselhado proteger mãos e pés, com luvas, botas ou até mesmo plásticos. Depois, o ideal é tomar um bom banho. Se a casa, móveis e demais objetos forem molhados, a recomendação é usar desinfetantes e água sanitária”, explica o médico.
Sintomas
Causada por uma bactéria presente na urina de ratos, a leptospirose tem como sintomas febre alta, mal-estar, dores de cabeça e pelo corpo, cansaço, vômitos e desidratação. Na maioria dos casos, o tratamento inclui o uso de antibióticos, mas sem o diagnóstico, a doença tende a causar danos mais graves. “Dependendo do caso, o paciente pode até ter hemorragia e insuficiência renal. Nessas situações, o tratamento pode precisar de hemodiálise e internação, por exemplo”, afirma o infectologista.
Bactérias, vírus e parasitas também são carregados pelas águas contaminadas da chuva, o que pode propiciar o surgimento de outras doenças, como a diarreia. No entanto, cuidados básicos, como lavar sempre as mãos e os alimentos, e ferver a água, podem evitar o problema.

Fonte: Hoje em Dia