Chegou a 47 as mortes com suspeita de febre amarela em Minas Gerais. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais tem 152 notificações de casos da doença, até o momento. O boletim foi divulgado nesta segunda (16).
Deste número de óbitos, 22 são considerados prováveis. O balanço anteriormente divulgado apontava 38 mortes suspeitas.
Todos os casos aconteceram na zona rural e são da chamada febre amarela silvestre, que pode ser transmitida por três mosquitos diferentes.
Casos de mortes de macacos por febre amarela são investigados também no Espírito Santo, onde duas pessoas foram internadas com suspeita da doença.
O último surto da febre amarela silvestre ocorreu entre 2008 e 2009, quando 51 ocorrências foram confirmadas.
Decreto de emergência – As ocorrências de febre amarela em Minas Gerais levaram o governador Fernando Pimentel (PT) a decretar nesta sexta-feira (13) situação de emergência em saúde pública por 180 dias em 152 cidades de quatro Unidades Regionais de Saúde (Governador Valadares, Coronel Fabriciano, Manhumirim e Teófilo Otoni). Destas cidades, a que registrou o maior número de casos suspeitos foi Ladainha (29), seguida por Caratinga (23) e Imbé de Minas (14).
O decreto autoriza a tomada de medidas administrativas para conter a doença e agiliza os processos para a aquisição pública de insumos e materiais, bem como a contratação de serviços necessários, dispensando licitação em alguns casos. A medida ainda permite a contratação de funcionários temporários para ações exclusivas de combate à doença.
Órgãos como Secretaria de Saúde (SES-MG), a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) participarão do trabalho de monitoramento destas ações administrativas.
De acordo com o texto publicado no Diário Oficial do Estado, o decreto considera que “a febre amarela é uma doença de potencial epidêmico e elevada letalidade”.
Surto provoca corrida a postos de vacinação – O aumento do número de ocorrências de febre amarela em Minas Gerais levou os moradores de Belo Horizonte a buscar a vacina contra a doença em postos de saúde da capital mineira. Em um centro localizado em Serra, bairro da região centro-sul da cidade, o número de aplicações diárias da vacina subiu de 10 para 200 inoculações.
A aplicação da vacina, disponibilizada gratuitamente nos postos de saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), ocorre em dose única, devendo ser reforçada após dez anos. No caso de recém-nascidos, é administrada uma dose aos 9 meses e um reforço aos 4 anos. Como se trata, no entanto, de uma situação atípica, nas regiões afetadas, bebês com 6 meses estão recebendo duas doses com intervalo de 30 dias.
De acordo com o Ministério da Saúde, a transmissão da febre amarela no Brasil não ocorre em áreas urbanas desde 1942 – todos os casos suspeitos em Minas Gerais, até o momento, são considerados de transmissão silvestre, ou seja, ocorreram em áreas rurais.
A febre amarela é causada por um vírus da família Flaviviridae e ocorre em alguns países da América do Sul, da América Central e da África. No meio rural e silvestre, é transmitida pelo mosquito Haemagogus. Já em área urbana, o vetor é o Aedes aegypti, o mesmo da dengue, zika e febre chikungunya.
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